Era uma vez…

E assim começam contos de fada, mas sobretudo histórias intermináveis. Um pouco como adiarmos o que há para fazer por tempo indefinido – ou até ganhar bolor num canto escuro da casa.

Podia dar todas as desculpas desta vida e das outras, mas a verdade é que a procrastinação e má gestão do tempo livre fizeram com que desaparecesse… durante anos.

Ideias não faltaram, mas e tempo para as executar? Estive mais ocupada a planear que a fazer…

É mesmo sobre isso que venho falar

Porque é preciso recordar como o tempo passa e tomar rédea do que fazemos com ele.

Todos estamos fartos do amigo que diz que vem ao jantar, pela décima vez que o convidamos, e à própria da hora já se sabe que não vem. É a noiva da novela que toda a gente sabe que vai fugir antes de chegar ao altar.

Mas todos somos esse amigo nas nossas vidas. Cada novo ano é a oportunidade para alcançarmos o queremos ser e ter. Os meses vão passando e com exceção de um ou outro objetivo, lá ficam pelo caminho as resoluções pensadas.

Certamente o tempo que passou foi bem aproveitado e, mesmo que não tenha sido, dá-nos essa chapada de luva branca e diz

“vê se te orientas, o ano a passar e tu só com meia promessas”

Dei-me conta que estava a viver na capital, com tanta oferta a tantos níveis, e a não aproveitar nada. Vi anunciada uma exposição de uma artista do Porto, que adorava ver, e todos os dias dizia para mim “amanhã vou lá”. Mas nunca fui. Passaram as semanas (semanas, amigos!), perdi a exposição e na verdade não tinha nada melhor para fazer em casa. Tudo o que vi foi pelo Instagram, porque aquilo dava fotografias giras – quem nunca?

Momento de epifania

Depois disso, e tirando momentos em que sofro por antecipação, decidi que o melhor é não adiar as coisas e fazer o que quero logo que me apeteça – não vá eu ter nada para fazer em casa.

E então não é que tudo mudou? Se para quem que, como eu, adora planear tudo com três vidas de avanço, sofre por antecipação do que nem vai acontecer e com isso chateia todos, foi simples, para vós também será.

Não precisam dizer que sim aos planos todos, simplesmente não mintam dizendo “vou, sim” e depois não vão, não, mas já o sabiam. Fiz mil coisas bem melhores que me deixaram feliz e com memórias a recordar.

 

Até agora só tenho ganho

Não sei como será o resto do ano, mas para já em 2018 viajei até Amesterdão, fiz couchsurfing em casa de uma desconhecida (entretanto amiga), participei uma aula de pole dance, vi várias exposições, comecei a correr, li 4 livros, apanhei um autocarro para ir buscar legos à margem sul, fiz um curso online e irei participar numa mini-maratona. Porque não?

Desafiem-se a fazer mais dentro dos 3 segundos em que pensam no assunto. Contem 1 e vão ao 2, o 3 é para quando a atividade fantástica que iriam adiar já decorreu e voltam de lá mais felizes.

Falem mais com os vossos avós, que o tempo passa também para eles.

Saiam mais com aquele amigo que adoram.

Vão para mais esplanadas no final da tarde.

Deixem a roupa para tratar outro dia em prol de momentos de relaxamento.

Marquem aquela viagem que tanto queriam.

Aprendam crochet, uma língua estrangeira, jardinagem.

Formem uma banda.

Metam-se num comboio e passem um fim de semana noutra cidade.

Expressem o que está aprisionado na alma.

Vejam o filme que ficou a meio.

Mudem do emprego que não querem.

Escrevam o livro que sempre quiseram.

Sigam o projeto que deixaram pendente.

 

Mas, sobretudo, façam.