Uma chapada de realidade

Propus-me ler a módica quantidade de 36 livros no espaço de um ano, o que nos dá uma média de 3 livros por mês – ‘fazível’, pensei. Como estava enganada…

Passaram 7 meses de um ano onde coube de tudo, numa vida encapsulada e a viajar à velocidade da luz. A varrer para baixo do tapete o que deveria ter percebido desde início, geri mal as expetativas, achei que seria a Super Leitora e agora pimbas!, é a derrapagem nas próprias lágrimas.

(Ok, pronto, estou a exagerar)

Porque isto aos 24 anos de idade, uma pessoa tem energia para dar e vender, ignorando algumas dores nas costas pontualmente e não abdicando da sua dose (saudável) de cafeína.

Ávida leitora desde pequena (e como quem me acompanha no IG decerto saberá), não abdiquei do meu desafio de leitura para 2019 – descobri o Good Reads há uns anos e que vício bom. Como correu tão bem no ano passado, com 24 livros lidos em 12 meses, pensei “por que não subir a fasquia em 2019?”. Então lá inseri o incrível número: 36.

É que, até para os meus padrões, isto foi loucura a mais! Varri para baixo do tapete preocupações relevantes e assobiei para o lado quando me assaltavam pensamentos como “menina, tu olha que não tens tempo para tudo isso”, “trabalhas, agora divides-te entre as duas margens do Tejo, tens aulas, projetos para entregar e matéria para estudar”.

Ora, isto não é propriamente um remake de “Girl, interrupted”, a vida continua além dessas obrigações e, apesar de umas crises de humor e energia, cá estamos.

Agora que terminaram as aulas e, com elas, as preocupações das quais não terei saudades, volto ao Reading Challenge e é uma chapada que levo cada vez que olho para aquele 36, gordito, escarrapachado no ecrã. Queria regressar a esse momento primordial onde considerei que isto era possível e meter algum bom senso na cabeça, repetindo “sê realista”.

Mas bom, que sirva para alguma coisa. Não vou devorar livros loucamente para completar o desafio nem alterei (diminuí, diga-se) o número de livros na aventura, embora pudesse.

A sensação de ver “desafio completo” e uma barra de percentagem nos 100 é incrível, mas melhor ainda é olhar para ela e relembrar-me desta valiosa lição.

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