Leituras de dezembro

O fim de ano não deu muita margem para leituras… Sem férias, com todos os fins de semana ocupados entre jantares de natal e as noites preciosas para descanso, terminei apenas duas leituras.

Ainda assim, foram bastante inspiradoras!

A Civilização do Espetáculo

Mario Vargas Llosa

⭐⭐⭐⭐

Ver este livro na Bertrand

O Nobel da Literatura traz-nos um ensaio sobre o estado (decadente) da cultura ocidental atual. Abordando desde a arte até à ética, Llosa reflete sobre o caminho que a cultura tem traçado e que perdas irrecuperáveis as próximas gerações vão sofrer.

Sem dúvida um desafio ao pensamento crítico, onde o exercício de reflexão e construção de argumentos – contra ou a favor – é posto à prova. Uma leitura obrigatória para pôr a massa cinzenta a funcionar, acabar com preconceitos e obrigar-nos a tomar as rédeas da nossa opinião sobre diferentes temas.

Bom: exercício crítico vital para o dia a dia. Não é para concordar ou discordar do autor: é para questionar.

Mau: gostaria, a título pessoal, que o ensaio se estendesse a mais aspetos da vida cultura atual.

Original: La Civilización del Espectáculo

Mau: a tradução!, esta edição estava particularmente mal traduzida, com demasiadas gralhas que confundiam a leitura e, pior dos pecados literários, nomes próprios traduzidos…

Original: Little Women

Mulherzinhas

Louisa May Alcott

⭐⭐⭐⭐

Ver este livro na Bertrand

Sim, li isto aos 24 anos. Aliás, foi mais uma espécie de re-leitura. Quando recebi este clássico infanto-juvenil, por volta dos meus 12 anos, não lhe achei piada nenhuma e li-o a custo.

A propósito do lançamento do filme homónimo em janeiro de 2020, decidi voltar a pegar nele… e fiquei muito surpreendida!

As aventuras das quatro irmãs March cativam-nos de início ao fim, recordando-nos até das peripécias que nós próprios passamos na época. Fazer novos amigos, dar segundas oportunidades, aprender novas matérias, mas também sofrer desgostos, sentir a perda de alguém e remar contra uma maré de sentimentos quando parece que todos estão contra nós.

Com a Guerra Civil americana em pano de fundo e um pai ausente na batalha, o lado trágico é-nos dado de forma bastante leve, num tom muito própria de criança.

Bom: para ler em qualquer idade, várias vezes ao longo da vida, e para nunca perder a centelha da infância.