Como fazer com que as crianças e os adolescentes leiam mais?

Atualmente, fala-se muito como as novas gerações não leêm. Partilho assim algumas dicas que podem ajudar neste problema.

Antes de dar soluções, é necessário sempre definir o problema. Dizer apenas que os jovens em geral não lêem ou lêem muito pouco é, de facto, errado. Os jovens lêem todos os dias. Lêem legendas de fotografias de influencers no Instagram, lêem tweets, lêem apenas o cabeçalho de notícias. Ouvir um vídeo é também uma forma de ler, já que estão a absorver conteúdo de outra forma.

Aquilo que podemos dizer é que os jovens não estão tão receptivos a ler livros.

As razões são várias, para além de se saber que se consome conteúdo de outra forma para além da leitura. Os livros estão intimamente ligados aos manuais escolares, de que os adolescentes fogem a sete pés. Assim, um livro é algo maçador, chato, obrigatório ler, mas sem gosto. Pode também ser o facto de não saberem por onde começar ou porque não têm incentivos para o fazer.

É um problema grave.

A leitura é obrigatória para que uma sociedade viva informada. E mesmo que não seja pela informação, ler é colocar ideias no cérebro. E um cérebro humano vive de atividade.

Ler é por o cérebro a funcionar, as ideias a nascer, os sonhos a planear. 

É a forma humana que temos de viver outras vidas quando só temos uma, uma atividade que encontrámos para conhecer outros seres humanos com histórias diferentes, mas emoções semelhantes às nossas. Ler é aprender para um mundo em que a carreira faz-se de competências que estão em constante evolução.

Sim, ler é demasiado importante para deixar simplesmente as novas gerações fora do panorama. Assim, como podemos contornar este problema?

Ofereço algumas soluções que são semelhantes e que fazem a diferença:

Oferecer mais livros

Vivemos num século altamente tecnológico, por isso quando foi a última vez que ofereceu um livro a um jovem? 

É comum os bebés receberem livros, mas a partir do momento em que se entra na escola, sentimo-nos mal em dar um livro a uma criança.

A ideia é oferecer mais livros para incentivar a leitura. Se nunca tivermos contato, não temos motivação externa para o fazer. Mostrar que um livro é uma boa prenda (e para quem o recebe é um sortudo) pode ajudar a alterar a percepção dos jovens quanto a este objeto.

Dar o exemplo

A melhor forma de fazer os jovens ler livros de ficção é ler à frente deles. Uma casa com leitores adultos certamente tem influência num adolescente. Tal como a Joana, foi ao ver a minha mãe ler todas as noites que ganhei o hábito de ler também. Foi esta visão que tinha todos os dias que me fez ver que ler é um hábito normal de quem está tempo em casa, tal como é ver televisão. Se parar dois segundos para ler um pouco todas as semanas, podem seguir-lhe o exemplo.

Fazer um plano de leitura em casa

Dar o exemplo não chega. Porque não fazer um plano de leitura, como ler um livro a cada dois meses e ajudá-los na escolha?

O Plano Nacional de Leitura é um bom ponto de partida, mas lembre-se que para quem não está habituado a ler, começar por algo mais básico pode facilitar a leitura e não dar desafios maiores logo no início.

As minhas leituras começaram com a série Uma Aventura, O Bando dos 4 ou até mesmo o Harry Potter, um clássico moderno que agrada a miúdos e a graúdos.

Depois, para os adolescentes, pode consultar outros clássicos e dê primazia a autores portugueses, para que possam conhecer a literatura com a riqueza da língua materna.

Perguntar feedback

A conversa sobre livros também é uma forma de despertar interesse. Por vezes, a experiência de leitura é muito pessoal, mas também pode ser partilhável. Tornar a leitura real, apetecível e tema de conversa ajuda a normalizar o hábito. 

Lembremo-nos de que os jovens gostam de fazer o que está na moda. Se mostrarmos sempre que ler é “cool”, não deixaram tanto o hábito como adolescentes e podem ultrapassar este período de crescimento com livros que tenham histórias de adolescentes.

Para alguns o Young Adult vai ser o fit perfeito. Para outros, que gostam de outros desafios, podem evoluir para os clássicos da literatura internacional ou aventurar-se em novos estilos. 

Ler é importante, tanto para jovens como para adultos. Se já não vai começar cedo, não é tarde para também se dedicar à leitura e dar o exemplo lá em casa. Foque-se nesta tarefa e ajude a que mais jovens possam ler (e que mais adultos tenham também este bom hábito). 

Por Rita Martins Amaral

Rita Amaral é uma Millennial de Lisboa. Trabalha em Marketing na componente de Relações Externas, desenvolvendo parcerias e gerindo projetos. Adora “fazer acontecer”, pois adora operacionalizar qualquer ideia. O bichinho do Jornalismo continua presente, já que escreve no seu blog Erre Grande, no Linkedin, no Medium e alguns portais especificamente dedicados ao Marketing.