A Quinta dos Animais

Nem sei como não li esta fábula mais cedo e não consigo recomendá-la vezes suficientes. Sem dúvida uma obra para ler e reler, enquanto tentamos não perder a esperança na humanidade

Autor: George Orwell

⭐⭐⭐⭐⭐

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Tudo neste livro fez tanto sentido que me doeu a alma. Primeiro, por saber que foi escrito tendo por inspiração um sistema político dos anos 40. Depois, por já terem passado 80 anos sobre isso e continuar tudo na mesma como a lesma.

Passei de uma página a outra sempre curiosa com o desfecho das situações mais caricatas – e ainda assim tão reais.

Na quinta do Reis onde os animais são escravos do homem, organiza-se uma rebelião que expulsa os donos da quinta entre tiros, cornadas e muita poeira no ar.

Está lançada a tela em branco que todos os animais desejavam, das galinhas poedeiras aos porcos inteligentes, sem esquecer os fortes cavalos, o burro teimoso, os cães enérgicos, as ovelhas barulhentas e as vacas gordinhas. Só para a gata lhe dá no mesmo, vivendo e andando sem grandes preocupações.

As regras vitais para o novo modelo da quinta gravitam em torno de um princípio só: tudo o que é humano é mau. E por consequência é de evitar todos os comportamentos, objetos, comidas e hábitos próprios desses seres que caminham em duas pernas.

O desejo de independência é tal que a quinta se torna num modelo de harmonia a seguir, onde reina a democracia, onde todos podem opinar e onde se distribuem as tarefas para o bem estar de todos.

Tudo corre bem, mesmo quando, ao longo dos anos, tudo corre mal. Porque nunca nada será pior que ter ali humanos como donos e senhores das vidas animais. Nem quando a comida é distribuída de forma desigual, nem quando há penas de morte por teorias de conspiração, nem quando uns dormem em palhas frias e outros em colchões quentes, nem quando se faz negócio com os homens odiados, nem quando camaradas morrem esgotados em nome do progresso da quinta. Nem quando já pouco se entende dos escritos e reescritos das regras no estábulo.

O que interessa é que, apesar de tudo, a quinta continua a prosperar; mas também já ninguém se lembra muito bem de como era no tempo do Reis. O que interessa é que Napoleão diz que agora tudo é ótimo, e Napoleão tem sempre razão.