To Kill a Mockingbird

Uma das leituras mais interessantes que passou pelas mãos, a começar pela narradora. É precisamente o tom infantil desta que torna todos os acontecimentos marcantes, desde os triviais aos mais sérios.

Harper Lee

⭐⭐⭐⭐⭐

Ver este livro na Bertrand

Não é foi de ânimo leve que peguei, pela segunda vez, nesta obra prima de Harper Lee. A primeira tentativa não foi além de umas páginas e tempos depois vim a descobrir o imenso peso que a história teve na vida da autora: o sucesso foi tal que, com receio de não alcançar as expetativas elevadas dos leitores, Lee nunca mais voltou a escrever.

Decidi lê-lo na versão inglesa, a original da escrita, e que desafio… Uma vez que toda a ação se desenrola num estado sulista dos EUA, durante os anos 30, é de esperar uma escrita que replica a oralidade na perfeição. Páginas depois, uma pessoa já está habituada aos termos e aos regionalismos, percebendo que “não, isto não é um erro”.

A ação central é aparentemente básica e comum a outras narrativas, sobretudo no retratar de uma sociedade altamente racista e xenófoba. Com as memórias de uma guerra civil presentes e um desprezo normalizado pela raça negra, a pequena cidade de Maycomb segrega de forma vincada estes habitantes.

Mas tudo passa ao lado da inocência e tenra idade de Scout, a pequena narradora que nos conduz nas suas vivências em poucos metros quadrados de terra. A sua vida está toda entre o seu alpendre e a escola, partilhada com o irmão Jem, poucos anos mais velho, e nas férias de verão com o melhor amigo, Dill.

Com perspicácia e desafio sempre na voz, Scout vai vivendo, testando e aprendendo o que são os limites dos adultos – mesmo que isso chateie constantemente a vizinha mal humorada ou a tia que teima em fazer de Scout a menina que ela não é.

O cenário muda de figura quando o pai advogado, Atticus, se vê envolvido num polémico caso em que se dispõe a defender a inocência de um homem negro, pelas incongruências e faltas de prova que existem contra ele.

Para Scout e Jem, nada parece mais natural que defender um inocente mas a comunidade rapidamente se vira contra os benfeitores, uma vez que se acredita que um crime perpetrado certamente o terá sido por um negro.


“Well, most folks seem to think they’re right and you’re wrong…
‘They’re certainly entitled to think that, and they’re entitled to full respect for their opinions’, said Atticus, ‘but before I can live with other folks I’ve got to live with myself. The one thing that doesn’t abide by majority rule is a person’s conscience”


A inocência própria das crianças impede que entendam a distorção causada pelas doutrinas dos adultos. Entre confusão, questões existenciais e muita revolta, Scout e Jem vão aprendendo um pouco mais sobre como se vive a “justiça” no mundo dos adultos, onde a razão pouco ou nenhum lugar tem quando as crenças racistas e sem fundamento já estão tão enraízadas.


“How could they do it, how could they?
‘I don’t know, but they did it. They’ve done it before and they did it tonight and they’ll do it again and when they do it – it seems that only children weep”


Uma narrativa absolutamente fascinante, levando-nos de volta à infância e olhando para o mundo com os olhos de uma criança, onde a sua realidade vai sofrendo embates à medida que a realidade se entranha de forma violenta nele.

“Atticus was right. One time he said you never really know a man until you stand in his shoes and walk around in them”

Já leste este clássico? O que achaste?


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