Dia Mundial da Língua Portuguesa

O Dia Mundial da Língua Portuguesa foi promovido pela UNESCO em 2019. Foi a primeira vez que uma língua não oficial da organização foi distinguida como um dia mundial.

De acordo com o jornal Observador, “o português é a língua mais falada e difundida no hemisfério sul e tem no mundo 265 milhões de falantes, tendo sido o idioma da primeira vaga da globalização.” É a primeira vez que celebramos este dia, que se vai comemorar todos os anos a 5 de maio. Como tal, deixo-vos algumas recomendações literárias para festejar esta data tão importante.

1. Luanda, Lisboa, Paraíso, de Djaimilia Pereira de Almeida (2018, Ed. Companhia de Letras)

Este é o único livro desta lista que ainda não li, mas encontra-se já na minha estante à espera da altura certa. A autora chamou-me a atenção porque ganhou vários prémios em 2019 precisamente com este livro, editado pela Companhia de Letras. Djaimilia Pereira de Almeida nasceu em Angola e cresceu em Portugal, nos arredores de Lisboa. Para além de Luanda, Lisboa, Paraíso, a obra Esse Cabelo também ganhou notoriedade. Também tenho esse livro cá em casa, emprestado por um colega de trabalho. Honestamente, como já escrevi tanto sobre ela para o meu trabalho, sinto que os seus livros vão ser mais do que bem-vindos ao meu coração. 

Sobre Luanda, Lisboa, Paraíso, posso dizer-vos que conta o percurso feito por um pai e o seu filho, numa viagem sem retorno. Começa em Luanda e passa por Lisboa, onde vivem algum tempo numa pensão, para, mais tarde, acabarem a viver no Paraíso, um bairro da lata na margem sul do Tejo.

2. O Filho de Mil Homens, de Valter Hugo Mãe (2011, Porto Editora)

Foi a minha estreia na obra de Valter Hugo Mãe e foi uma surpresa tão positiva. Já tinha ouvido falar bastante do autor, mas é sempre agradável quando ganham um lugar especial no nosso coração. A melhor forma que consigo descrever a sua escrita é como prosa poética. Adoro essa característica e encontro-a várias vezes em Afonso Cruz. Contudo, aqui a narrativa é mais visceral, mais crua. Não posso falar pelos restantes livros do autor (comprei Homens Imprudentemente Poéticos mas ainda não o li). Ainda assim, gostei tanto que estou disposta a descobrir o resto dos seus livros, o quanto antes.

Neste livro, um pescador solitário decide inventar uma família para si. Procura um filho, encontra uma mulher, descobre outros apêndices que provam que o amor é a simplicidade de escolher amar. É a definição do lar que escolhemos, e não aquele que nos aparece à frente. E, no meio de tudo, é uma história absolutamente portuguesa, com traços muito característicos da nossa cultura. Gostei muito.

3. Todo Amor, de Vinicius de Moraes (2019, Ed. Companhia de Letras)

Ah, poesia. Há lá coisa mais bonita que poesia? Esta edição é-me especialmente querida. É em capa dura e respeita a edição brasileira, pela mesma editora, da obra. É um livro para coleccionadores, e um livro dedicado ao amor. Para quem não está a par, Vinicius de Moraes foi um poeta brasileiro que nasceu em 1913. É, sem dúvida, um dos grandes da literatura em língua portuguesa. Começou a aliar os seus poemas à música popular, ao lado de cantores como Tom Jobim ou Chico Buarque.

Todo Amor reúne cartas, crónicas, poemas e letras de canções. É tudo dedicado ao amor e a forma que ele assume no ser humano, seja através do ciúme, da alegria, da tristeza ou da devoção. Como todos os livros de poesia que tenho, gosto de pegar nele regularmente e folhear, experimentar poesia.

4. Teoria Geral do Esquecimento, José Eduardo Agualusa (2012, Quetzal Editores)

Depois de O Vendedor de Passados, li este romance de José Eduardo Agualusa e entreguei-me, ainda mais, à escrita africana. Encontro uma nostalgia frequente nas obras de escritores como Agualusa, Mia Couto ou Ondjaki. É uma nostalgia que nos embala em grande parte das suas narrativas e que aprecio muito. Recomendo este livro para quem procura reflectir sobre os muros de medo que construímos à nossa volta, e sobre as histórias que precisam de ser contadas. 

Em Teoria Geral do Esquecimento, uma mulher portuguesa ergue uma parede que separa o seu apartamento do restante edifício e, por consequência, do resto do mundo. Estamos na véspera da independência, no ano de 1975, e durante quase 30 anos esta mulher viverá sozinha, presa numa espécie de ilha de cimento, enquanto Luanda vai crescendo sozinha. 

5. As Intermitências da Morte, de José Saramago (2005, Porto Editora)

Para terminar, mas não menos importante. Recomendo várias vezes este livro de José Saramago por ser uma segunda oportunidade mais do que merecida. Há quem tenha adorado O Memorial do Convento na escola, mas eu não fui uma dessas pessoas. Foi preciso este livro, sugerido por uma amiga, para entender o potencial deste autor. Com As Intermitências da Morte, Saramago passou a um dos meus autores portugueses favoritos. Para quem gostaria de voltar a ler algo dele, é esta a vossa segunda oportunidade.

Um dia, a Morte deixou de matar. Num país sem nome, as pessoas simplesmente deixaram de morrer. É uma autêntica distopia sobre as consequências da imortalidade, juntamente com uma série de reflexões bem próprias de Saramago. Religião, política, cultura – é tudo abordado aqui. Cheguei ao final do livro verdadeiramente apaixonada com a sua escrita, ao ponto de querer dar uma segunda oportunidade a O Memorial do Convento

Por Sónia Rodrigues Pinto

O meu nome é Sónia Rodrigues Pinto. Licenciei-me em Línguas e Literaturas, especialização de Literaturas & Artes, e tirei um mestrado em Jornalismo. Atualmente sou criadora de conteúdos para a Livraria Bertrand e, paralelamente, book blogger nos tempos livres. O meu objetivo é ajudar, um livro de cada vez.