Dia Mundial da Fotografia

A invenção da primeira forma de reprodução fotográfica nasceu com o daguerreótipo neste dia. Para celebrar, partilho a minha experiência neste incrível mundo da fotografia que me intriga, inspira e diverte.

Desde os primeiros daguerreótipos até às imagens digitais que fazemos hoje nos telemóveis e câmaras portáteis, muito evoluui a técnica, as ferramentas, o propósito e o acesso à fotografia.

Esta curiosa forma de arte faz uso da luz solar que, com os químicos e exposição apropriados, registam uma imagem daquele preciso momento. E isto é o princípio básico para se iniciar o estudo da fotografia.

As minhas primeiras fotografias

Venho de uma era em que, chegada à idade e manobrar uma máquina fotográfica, as primeiras câmaras digitais estavam a proliferar que nem cogumelos.

Depois do sucesso das analógicas automáticas, em que bastava levar o rolo para revelar no fotógrafo, a máquina digital assumiu um papel central em todos os  momentos em família: com ela registamos férias, viagens pelo país, aventuras no estrangeiro, encontros de amigos, espetáculos de ballet e competições de patinagem.

O auxílio da memória quando esta nos pode falhar – e sempre aquela pasta no computador que dizíamos ir imprimir e nunca chegou a sair de um disco.

Macro fotografia analógica. Jardim Fundação Serralves, Porto 2019. Minolta X 30, Kodadk 200 Colorplus.

Mas a minha curiosidade fez-me testar como eram as plantas e insetos com o zoom no máximo, percebendo as possibilidades que havia na exploração da imagem e da perspetiva. Depois foi a surpresa da fotografia noturna, onde o vocabulário se expandiu pelos testes na velocidade do obturador, da abertura da lente e da sensibilidade luminosa.

Viagens no tempo

Alguns workshops e muitos amigos pacientes depois, fiz uma viagem décadas para trás. O meu primo aparece com uma Leika de filme, resgatada no tempo e resgatando as minhas memórias de infância em películas a negativo.

E assim me passou ele uma Minolta dos anos 80 para a mão, uma máquina produzida de forma mais rasca para ser acessível a todas as carteiras à época – somos todos imortais enquanto imóveis nesse filme. Mas bastou-me e desde há uns anos para cá vivo uma experiência singular cada vez que uso esta velhota meio emperrada – “tem de a usar mais”, dizia-me o senhor da última vez que precisei de ajuda para um rolo encravado.

O que mais me fascina na fotografia analógica é a surpresa do resultado final. Estou no caminho de entender os jogos entre a velocidade de disparo e a sensibilidade à luz, mas mesmo que domine essa parte há sempre um “quê” de mistério em saber o que raio vai sair dali… sobretudo para alguém que, como eu, faz altos disparates ou se esquece de adaptar manualmente estas configurações.

Mas entre paisagens que viram borrão de luz, cenários completamente desfocados e salas interiores escuras como breu, lá saem umas fotografias que me deixam contente e fascinada com esta técnica soberba.

Livraria em analógica no Porto, 2019. Minolta X 30, Kodak 200 Colorplus.

3 livros sobre fotografia

Fico feliz por saber que ainda há tanto para descobrir sobre tons e rolos, sobre a técnica e a tecnologia. No final do dia sabe sempre bem ver como a luz inscreve imagens de um mesmo objeto de forma tão diferente pelos olhos e pelo filme, recordando semanas depois momentos que já nem sabia que havia capturado através da lente mecânica.