Escrever: memórias de um ofício

Com mais de 70 anos neste planeta, Stephen King escreveu, em média, mais de um livro por cada ano de vida. Com este livro, cria um autêntico manual para quem quer ser escritor, enquanto revê memórias do seu próprio percurso.

⭐⭐⭐⭐

Stephen King

De forma bem estruturada, King passa em revista uma série de ensinamentos que foi adquirindo desde os tempos idos em que começou a escrever. Criado entre o final da década de 90 e início dos anos 2000, olivro deixa em branco os últimos 20 anos na vida e carreira do auto. Apesar disso, resume os anos essenciais na vida do autor e dos quais retiramos os principais ensinamentos.

É preciso recordar que Stephen King é um autor estupidamente bem sucedido, escrevendo desde tenra idade, e sobretudo conhecimento pelas obras de literatura no ramo thriller-terror-fantástico, mas também com algumas criações a puxar ao romance e amizade. Ainda hoje surgem adaptações de livros e contos escritos há várias décadas, mostrando um caráter intemporal (e por vezes premonitório) nas suas narrativas.

Começando por nos falar das experiências de escrita ainda em miúdo, passando pelas primeiras tentativas de divulgação e constantes rejeições de editoras, King é a prova de que a resiliência compensa. Continuou a batalhar pelo sonho que tinha, fazendo das horas de sono o tempo de trabalho possível para a escrita, e eventualmente surgiram os primeiros “sim”, depois contratos milionários e por fim uma produção de criatividade escrita a um ritmo alucinante.

Das lições mais interessantes que retirei deste livro está a relação da capacidade de escrita com o hábito da leitura.

Se quer ser escritor, há duas coisas a fazer antes de qualquer outra: ler muito e escrever muito. Que eu saiba, não há como fugir dessas duas coisas, não há atalhos.

O domínio da língua, o desenvolvimento do raciocínio, a criatividade, o sentido crítico… todos advêm da leitura. É ao ler livros, muitos e vários como recomenda King, que nos surge a inspiração, que testamos ideias, que melhoramos a expressão escrita e que ganhamos ânimo porque temos as ferramentas todas e a confiança para avançar.

Posso ser direto? Se não tem tempo para ler, não tem tempo (nem ferramentas) para escrever. É mesmo assim.

Escrever faz um bom mix de autobiografia com livro técnico, tornando a leitura mais leve, menos maçuda ou aborrecida. Através de exemplos do seu percurso e também do de grandes nomes da literatura internacional, o autor desmistifica a crença de que a escrita criativa é só para uns quantos iluminados. As ferramentas para avançar com uma carreira na escrita estão aqui e o exemplo de King é inspirador.

Claro está que este é apenas um dos muitos “manuais” para escritores – e incompleto, diga-se de passagem. Ainda assim, sabemos que o propósito do livro é espicaçar o espírito criativo de ação dentro de quem quer, realmente, escrever – e fazer disso vida. Sem fofocas, conversa da treta nem dicas de coaching baratas.

Recomendo a leitura deste livro a quem trabalha diariamente com escrita, não a quem procura uma autobiografia “pura e dura” nem a quem se está a iniciar no mundo da escrita. No meu caso, veio ao encontro precisamente do que eu procurava para me inspirar no percurso, há muito começado, na escrita; um match perfeito na altura em que o escolhi ler.


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