Raíz densa no pátio da garganta

Sabias que há dezenas de novos autores a descobrir e a apoiar por cá? Desta feita, decidi-me a explorar esta criação do jovem autor Manuel Seatra. Nem só de Saramago vive o homem – e repara que é um dos meus autores favoritos.

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Encontrei-te nas páginas de um livro: desastres de revisão

Um livro que prometia muito, mas que se perdeu nas opções do que poderia ter sido. Demasiadas histórias não permitiram desenvolver a principal, que teria sido incrível.

⭐⭐

Xavier Bösch

Lembram-se daqueles jogos em que cada pessoa inventa partes de uma história, uma a seguir a outra? Este livro deu-me muito essa sensação e o resultado foi uma misturada de ideias que não tiveram um desenvolvimento ou conclusão bem feitos

O título cativou-me por trazer o imaginário dos livros e da escrita consigo e, até certo ponto, isso foi conseguido. Há uma série de livrarias importantes na relação com as personagens e as cartas deixadas pelo par amoroso revelam-nos mais sobre a sua relação.

Mas foi só isso, porque de resto ficou um pouco confuso e a quantidade pequenas histórias lançadas ficaram todas pela rama – para isso seriam precisas bem mais que 300 páginas, isto foram vários livros mal explorados dentro de um.

O palco principal é atravessado por demasiadas personagens, com histórias que pouco acrescentam à intriga que se pretendia a principal, que assim resumo: a jovem Gina, que perdeu a mãe ainda em criança, descobre através de umas cartas herdadas que a mãe viveu um romance intenso, ainda que curto, numa breve viagem a Paris alguns anos antes de falecer.

“Ui, tantas hipóteses giras para explorar!”, sim, é verdade, mas é preciso cuidado para não nos perdermos nelas… Parece-me que houve um trabalho fraco a nível de edição e revisão desta narrativa, o que culminou na superficialidades dos temas abordados, na confusão de momentos e na tentativa de “chegar a todo o lado”.

Havia uma narrativa principal super interessante que o autor propôs, mas por alguma razão deu demasiadas voltas; introduziu personagens sem qualquer relevância ou que prometiam muito e depois não serviram, exatamente, para nenhum avanço na história; algumas ações e momentos são forçados e encaixam mais numa narrativa estereotipada, machista e pouco coerente, do que se fazia prever.

Eu esperava uma história “leve” mas interessante, um par romântico mas não estereotipado, alguma previsibilidade mas não a desilusão.

Apesar disso, convido-te a leres porque opiniões são sempre diferentes e tenho curiosidade em saber o que outras pessoas possam achar depois desta leitura.

*este link é afiliado Bertrand: na compra através deste, uma percentagem reverte em crédito para mim, exclusivamente utilizado no site Bertrand

Dia do Autor Português: 6 livros portugueses para ler

Para celebrar o Dia do Autor Português, que se comemora a 22 de maio, sugiro 6 livros portugueses que deves ler.

A cena literária está, felizmente, povoada de fantásticos autores. Uns já conhecidos do público, outros há pouco em estreia, o que não faltam são boas novidades e descobertas para nos enriquecer na hora da leitura.

6 livros portugueses

Deixo-te aqui as sugestões de livros portugueses para explorares a literatura nacional, que tanto tem para nos oferecer.

Uma amizade improvável

Flores, de Afonso Cruz (2015)

Cada um de nós vive um pouco fechado na sua bolha. Mas há momentos em que nos vemos confrontados com a necessidade de abrir e de reconhecer o outro. É precisamente isso que acontece com o narrador desta história, que ganha uma bonita amizade com o vizinho idoso do seu prédio.

Enquanto a sua vida pessoal se desmorona, uma outra relação sincera, de compreensão e entre ajuda nasce. A descoberta de quem é este vizinho e da viagem pelas suas memórias traz uma nova realidade à vida do narrador.

Um retrato social irónico

A Gata e a Fábula, de Fernanda Botelho (1960)

Alternando a narrativa entre várias personagens todas interligadas, descobrimos as peripécias, decadência e fachadas em várias famílias de uma classe nobre que se extingue em Portugal nos anos 30 e 40.

Com ironia, sarcasmo e dramatismo, conhecemos beatitudes, devoção interesseira a Deus, casamentos por interesse e cruzamentos de sangue para manter a riqueza e as aparências, enquanto o mundo gira e se transforma.

Uma misteriosa coincidência

O Homem Duplicado, de José Saramago (2002)

Com uma rotina instalada e uma vida aborrecida, Tertuliano fica espantado quando por mera coincidência descobre num filme português um homem exatamente igual a si.

Sem outras preocupações para o travar, Tertuliano parte em busca desse homem numa espiral de obsessão, inveja e curiosidade. Ao longo da história presenciamos a transformação de caráter de um pacato professor, que deixa de conhecer a sua verdadeira identidade.

Um livro jovem adulto (YA)

Raparigas como Nós, de Helena Magalhães (2019)

No início dos anos 2000, sem redes sociais nem demais aparelhos eletrónicos, Isabel conta-nos os seus amores e desamores, alegrias e tristezas na flor da adolescência.

Uma história com que todos nos podemos identificar, em maior ou menor grau, viajando pelos confins das memórias e emoções típicas dos adolescentes, enquanto as personagens se confrontam com descobertas e perigos, com a transformação das pessoas à sua volta e o aproximar das responsabilidades adultas.

Um romance dramático

A Rosa do Adro, de Manuel Maria Rodrigues (1870)

Um triângulo amoroso que revela constantes dissabores num Portugal de estratos sociais, onde a rigidez das regras leva ao intensificar de todas as emoções.

A pobre camponesa Rosa vive apaixonada por Fernando, que parte e se enamora de uma outra rapariga. António entra em cena com a oportunidade por que tanto esperou para conquistar Rosa, debatendo-se eternamente com a ligação da jovem à sua antiga paixão.

Uma vida normal

Eliete, de Dulce Maria Cardoso (2018)

Uma mulher na meia-idade, sem saber que raio significa isso, vê-se confrontada com memórias da sua vida enquanto se apercebe que nada está no caminho que deseja.

Numa casa partilhada com um marido que não a deseja e uma filha que não a compreende, presa num trabalho que não a excita, Eliete quebra as regras que outros lhe impuseram desde criança para tentar ser novamente feliz.